PALAVRAS DE ORDEM E GOVERNAMENTALIDADE ALGORÍTMICA: A PRAGMÁTICA DE DELEUZE E GUATTARI DIANTE DAS CAPTURAS LINGUÍSTICAS CONTEMPORÂNEAS

Conteúdo do artigo principal

Péricles Matias Santos

Resumo

As plataformas digitais contemporâneas constituem sofisticados dispositivos de transmissão de palavras de ordem. Partindo dessa tese, o presente artigo examina como tais dispositivos atualizam e intensificam os mecanismos de captura linguística diagnosticados por Gilles Deleuze e Félix Guattari no platô Postulados da linguística. Sustenta-se a hipótese de que a governamentalidade algorítmica opera uma mutação qualitativa no regime das palavras de ordem, introduzindo o que aqui se denomina captura preditiva: os algoritmos não apenas registram comportamentos passados, mas antecipam e modulam condutas futuras através de enunciados calibrados por análise estatística em tempo real. Mediante análise conceitual de orientação filosófico-linguística, examinam-se os postulados desconstruídos pelos autores, investigam-se os conceitos de agenciamento coletivo de enunciação e transformação incorpórea, e apresenta-se a variação contínua como linha de fuga. A contribuição original consiste em propor procedimentos concretos de desterritorialização linguística nos ambientes digitais, denominados gagueira algorítmica, demonstrando que resistir à captura exige inventar novas práticas de variação contínua adequadas às condições técnicas do presente.


 

Detalhes do artigo

Como Citar
SANTOS, P. M. PALAVRAS DE ORDEM E GOVERNAMENTALIDADE ALGORÍTMICA: A PRAGMÁTICA DE DELEUZE E GUATTARI DIANTE DAS CAPTURAS LINGUÍSTICAS CONTEMPORÂNEAS. Revista Eletrônica Multidisciplinar de Investigação Científica, Brasil, v. 5, n. 23, 2026. DOI: 10.47402/remici.v5n23121226. Disponível em: https://remici.editorapublicar.com.br/index.php/revista/article/view/858. Acesso em: 23 out. 2026.
Seção
Artigos

Referências

Austin, J. L. Quando dizer é fazer: palavras e ação. Tradução de Danilo Marcondes de Souza Filho. Porto Alegre: Artes Médicas, 1990.

Bakhtin, M.; Volóchinov, V. N. Marxismo e filosofia da linguagem: problemas fundamentais do método sociológico na ciência da linguagem. 12. ed. Tradução de Michel Lahud e Yara Frateschi Vieira. São Paulo: Hucitec, 2006.

Benveniste, É. Problemas de linguística geral I. 5. ed. Tradução de Maria da Glória Novak e Maria Luisa Néri. Campinas: Pontes Editores, 2005.

Bruno, F. Máquinas de ver, modos de ser: vigilância, tecnologia e subjetividade. Porto Alegre: Sulina, 2013.

Brunton, F.; Nissenbaum, H. Obfuscation: A User’s Guide for Privacy and Protest. Cambridge: MIT Press, 2015. 136 p. ISBN: 978-0-262-02973-5. Disponível em: https://mitpress.mit.edu/9780262-529860/obfuscation/. Acessado em: Jan. 2026.

Citton, Y. The Ecology of Attention. Tradução de Barnaby Norman. Cambridge: Polity Press, 2017. 220 p. ISBN: 978-1-5095-0373-5.

Deleuze, G.; Guattari, F. Kafka: por uma literatura menor. Tradução de Cíntia Vieira da Silva. Belo Horizonte: Autêntica, 2014.

Deleuze, G.; Guattari, F. Mil platôs: capitalismo e esquizofrenia. v. 2. Tradução de Ana Lúcia de Oliveira e Lúcia Cláudia Leão. São Paulo: Editora 34, 2011.

Ducrot, O. O dizer e o dito. Tradução de Eduardo Guimarães. Campinas: Pontes, 1987.

Han, B.-C. Psicopolítica: o neoliberalismo e as novas técnicas de poder. Tradução de Maurício Liesen. Belo Horizonte: Âyiné, 2017.

Hjelmslev, L. Prolegômenos a uma teoria da linguagem. Tradução de José Teixeira Coelho Netto. São Paulo: Perspectiva, 2013.

Pariser, E. O filtro invisível: o que a internet está escondendo de você. Tradução de Diego Alfaro. Rio de Janeiro: Zahar, 2011.

Rouvroy, A.; Berns, T. Gouvernementalité algorithmique et perspectives d’émancipation: le disparate comme condition d'individuation par la relation? Réseaux, Paris, n. 177, p. 163-196, 2013. DOI: 10.3917/res.177.0163. Disponível em: https://shs.cairn.info/revue-reseaux-2013-1-page-163. Acessado em: Jan. 2026.

Sunstein, C. R. Republic: Divided Democracy in the Age of Social Media. Princeton: Princeton University Press, 2017.

Zuboff, S. A era do capitalismo de vigilância: a luta por um futuro humano na nova fronteira do poder. Tradução de George Schlesinger. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2020.