O PAPEL DAS DOULAS NA PROMOÇÃO DO PARTO HUMANIZADO EM MATERNIDADE PÚBLICA DA REGIÃO NORTE DO BRASIL
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Resumo
Objetivo: Analisar a percepção de doulas acerca de sua atuação na promoção da humanização do parto em uma maternidade pública de referência da região Norte do Brasil, identificando benefícios assistenciais, limites institucionais e desafios relacionados à inserção no contexto hospitalar. Metodologia: Trata-se de pesquisa exploratório-descritiva, com abordagem qualitativa, realizada em maternidade integrante do Sistema Único de Saúde (SUS), localizada na zona leste do município de Manaus, Amazonas. Participaram cinco doulas atuantes nos setores de admissão, pré-parto e alojamento conjunto, correspondendo à totalidade das profissionais vinculadas ao serviço à época da coleta. Os dados foram produzidos entre março e julho de 2009 por meio de questionário estruturado com questões abertas sobre compreensão do papel da doula, percepção de benefícios, relação com a equipe de saúde e estratégias de divulgação do trabalho. O material foi submetido à análise temática, com codificação e organização indutiva em categorias analíticas. Resultados: A análise evidenciou que as doulas compreendem sua atuação como suporte emocional contínuo, fundamentado na escuta qualificada, no incentivo ao protagonismo feminino e na utilização de métodos não farmacológicos de alívio da dor. A presença constante foi associada à redução da ansiedade materna, ao fortalecimento da confiança da parturiente e à qualificação da experiência do parto. Observou-se, ainda, função mediadora entre mulher e equipe de saúde, favorecendo a compreensão das informações e a participação nas decisões. Entretanto, foram identificados limites estruturais, como resistência de parte dos profissionais, ausência de normatização institucional clara e fragilidade no reconhecimento formal da prática. Considerações: Conclui-se que a atuação das doulas constitui estratégia relevante para a consolidação da humanização do parto no SUS, ao fortalecer dimensões relacionais do cuidado e ampliar a autonomia das mulheres. Sua efetividade, contudo, depende de reconhecimento institucional, definição de atribuições e integração interprofissional capazes de superar tensões históricas na organização do trabalho obstétrico.
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