TRABALHO DOCENTE DELETÉRIO: DA TEORIA A PRÁTICA
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Resumo
O presente estudo analisa a invisibilidade e o adoecimento docente como fenômenos estruturais vinculados à organização contemporânea do trabalho educacional, articulando contribuições teóricas e evidências empíricas produzidas por meio de entrevistas com docentes dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental. Partindo de referenciais que discutem burocratização, precarização e intensificação do trabalho, sustenta-se que o sofrimento docente não pode ser compreendido como fragilidade individual, mas como expressão coletiva de condições institucionais historicamente construídas. Do ponto de vista metodológico, a pesquisa adota abordagem qualitativa, combinando revisão bibliográfica e entrevistas semiestruturadas, que possibilitaram compreender as experiências concretas dos professores no cotidiano escolar. Os dados empíricos evidenciam jornadas extensas, sobrecarga de atividades, realização de tarefas extraclasse em tempo não reconhecido institucionalmente, escassez de recursos, fragilidade do apoio institucional e ampliação das funções docentes, elementos que contribuem para a intensificação do trabalho e para a invisibilização de parte significativa da atividade profissional. A análise demonstra que a reorganização do trabalho docente, especialmente a partir da década de 1990, sob influência de reformas neoliberais e da racionalidade gerencial, promoveu centralização curricular, ampliação de mecanismos de controle e instabilidade contratual, impactando diretamente a autonomia e a identidade profissional. Destaca-se, ainda, que a intensificação das atividades extraclasse e a cultura da conectividade permanente, intensificadas no contexto da pandemia de COVID-19, contribuíram para a diluição das fronteiras entre tempo de trabalho e tempo de descanso, configurando a invisibilidade do tempo efetivamente trabalhado. Os relatos dos participantes confirmam o impacto dessas condições na saúde docente, evidenciado por sintomas como estresse, ansiedade, cansaço físico e emocional, além de casos de afastamento por adoecimento. Tais elementos revelam uma crise de saúde que, embora amplamente vivenciada, permanece parcialmente invisibilizada no âmbito das políticas públicas. Conclui-se que o enfrentamento da invisibilidade e do adoecimento docente exige políticas estruturantes que articulem valorização material, estabilidade profissional, autonomia pedagógica, suporte institucional e regulamentação do direito à desconexão. A reconstrução da dignidade da profissão docente apresenta-se, assim, como condição indispensável para a sustentabilidade do sistema educacional e para a efetivação do direito à educação.
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